segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Por Adonyz Paiva, da Juventude do PSTU-BH

Foto: Jéssica dos Santos

Eu seria hipócrita e tangenciaria a mentira se aqui eu dissesse que não gostei do evento oficial que aconteceu em BH, a Virada Cultura. Afinal, Elba Ramalho e Demônios da Garoa, entre outros, me seduzem e fazem parte da minha base musical e conhecimento cultural.

Entretanto, - como tudo organizado pelo Estado sempre carrega consigo umentretanto, um mas ou um porém – venho falar sobre a forma de manifestação que existiu no fim de semana (14 e 15 de Setembro), a Revirada Cultural. A priori pensei em escrever uma nota de apoio a este movimento cultural e independente, mas já que a intenção é sair do oficial, seria plausível dar a este texto o subtítulo de “desnota”, “renota” ou qualquer outro nome inovador que @ car@ leit@r quiser dar. 

A Revirada Cultural foi a expressão da conjuntura atual, foi a expressão máxima da não aceitação da repressão, da marginalização e da criminalização dos movimentos sociais que não suportam mais as mazelas que a população sofre diante da administração burguesa de nossos governantes. O Rap, Hip Hop, Reggae e Rock cantados sem alvará e com uma bandeira escrita “Fora Lacerda”embaixo do viaduto demonstram a luta que já existia há tempos, mas que desde junho tomou proporções revolucionárias. 

Sem alvará e autorização, assim como o desemprego, a falta de educação, a falta de transporte e outros males batem na porta d@s trabalhadores, @s artistas tomaram o viaduto e, NA TORA, tiveram mais atenção que muitas “atrações” organizadas pelo governo. 

Neste sábado e domingo, a vanguarda que luta por seus direitos estava nas ruas e mostrou que ao contrário do que a mídia diz, o país não voltou a dormir. Estávamos em todos os cantos, criminalizados pelo governo, mas em grupos, conversando e fazendo política. A união da vanguarda seria caracterizada pelo Estado Democrático Burguês como formação de quadrilha ou milícia privada (como feito com @s manifestantes do sete de setembro). Já eu, prefiro definir a união destes manifestantes como o maior “tiro no pé cultural” dado pelo Estado na história, posto que esse evento serviu apenas para nos fazer mais coesos perante a caracterização de nossa cultura independente: a cultura “marginal”.

Sou grato a tod@s cantores independentes, pois são vocês que formam diariamente minha musicalidade. Sou grato a todas as máscaras e atores que intervieram com suas artes, pois são vocês que demonstram minha angústia social e luta política. E mais, sou grato à prefeitura, que com a marginalização, nos uniu e me fez ter a certeza de que em 2014 será maior. Certeza de que este fim de 2013 não é o sono, mas sim a concretização do avanço da consciência política de todo pais. País este que agora carrega consigo um grito muito maior do que aqueles que TALVEZ ecoem nos estádios. Afinal, provavelmente, “NÃO VAI TER COPA”.

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